O Haiti, que já convive há tempos com a malária, viu aumentar sua incidência após o terremoto de 12 de janeiro, segundo uma avaliação britânica que chegou à AFP."É altamente provável que a prevalência da malária aumente no rastro da catástrofe", explicou à AFP Fiona Place, do Instituto britânico de Análise de riscos Maplecroft.
"Os campos de acolhida superpovoados, abrigos e facilidades sanitárias inadequados, serviços médicos sobrecarregados, sistemas de esgoto destruídos: todos estes fatores apresentam condições favoráveis ao desenvolvimento dos vetores da doença", destacou ela.
O uso improvisado da água da chuva a céu aberto facilita, ainda, a multiplicação dos mosquitos causadores da enfermidade, acrescentou.No seu entender, conter a extensão da malária dependerá parcialmente da rapidez com a qual os organismos de ajuda possam fornecer mosquiteiros embebidos com inseticidas, além de oferecer cuidados básicos e distribuir medicamentos e provisões.
A disenteria, a rubéola, a tuberculose, a gripe e doenças como a dengue ameaçam a população haitiana, particularmente os grupos mais vulneráveis.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, pode-se estimar em 243 milhões o número de casos de malária em 2008 no mundo; 863 mil pessoas morreram. Oitenta e cinco por cento dessas mortes dizem respeito a crianças com menos de 5 anos.
Terremoto
Um terremoto de magnitude 7 na escala Richter atingiu o Haiti no último dia 12, às 16h53 no horário local (19h53 em Brasília). Com epicentro a 15 km da capital, Porto Príncipe, segundo o Serviço Geológico Norte-Americano, o terremoto é considerado pelo órgão o mais forte a atingir o país nos últimos 200 anos.
Dezenas de prédios da capital caíram e deixaram moradores sob escombros. Importantes edificações foram atingidas, como prédios das Nações Unidas e do governo do país. Estimativas mais recentes do governo haitiano falam em mais de 200 mil mortos e 50 mil corpos já enterrados. O Haiti é o país mais pobre do continente americano.
Morte de brasileiros
A fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, Organismo de Ação Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Zilda Arns, o diplomata Luiz Carlos da Costa, segunda maior autoridade civil da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti, e pelo menos 17 militares brasileiros da missão de paz da ONU morreram durante o terremoto. Um militar está desaparecido.
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, e comandantes do Exército chegaram na noite de quarta-feira à base brasileira no país para liderar os trabalhos do contingente militar brasileiro no Haiti. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil anunciou que o país enviará até US$ 15 milhões para ajudar a reconstruir o país. Além dos recursos financeiros, o Brasil doará 28 t de alimentos e água para a população do país. A Força Aérea Brasileira (FAB) disponibilizou oito aeronaves de transporte para ajudar as vítimas.
O Brasil no Haiti
O Brasil chefia a missão de paz da ONU no país (Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti, ou Minustah, na sigla em francês), que conta com cerca de 7 mil integrantes. Segundo o Ministério da Defesa, 1.266 militares brasileiros servem na força. Ao todo, são 1.310 brasileiros no Haiti.
A missão de paz foi criada em 2004, depois que o então presidente Jean-Bertrand Aristide foi deposto durante uma rebelião. Além do prédio da ONU, o prédio da Embaixada Brasileira em Porto Príncipe também ficou danificado, mas segundo o governo, não há vítimas entre os funcionários brasileiros.
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